quarta-feira, 3 de junho de 2015

Sergipe quer saber: quem comeu o lanchinho que estava aqui? Subvenções e Máfia da Merenda vão do trágico ao cômico!

O momento é trágico para a política de Sergipe. Há um “aroma de podridão” rodando o Estado. Desde o final do ano passado, com a denúncia do Ministério Público Federal, que a aplicação das verbas de subvenção social pela Assembleia Legislativa tem movimentado os noticiários locais. Já vimos de tudo nas oitivas tomadas pelos procuradores da República pelo juiz federal Fernando Escrivani: empresários fantasmas; ONGs sem qualquer finalidade social ou que sequer possuem uma sede; tesoureiros que não frequentam associação; cheques em branco assinados a revelia; dentre outras mazelas. Mas o que já era ruim, ficou pior: vem a tona a “Máfia da Merenda”, colocando em suspeição não apenas as Prefeituras de Socorro e São Cristóvão, mas de outras 30 administrações municipais, pelo menos. 

Eu não estou pré-julgando ninguém, mas não se pode negar ou tentar esconder que essas notícias todas acabam sendo depreciativas para o Estado, para os nossos gestores públicos. Cria na população uma sensação de repulsa, uma indignação natural a cada telejornal. E a culpa, senhores prefeitos e senhores deputados, não é da imprensa. Nenhum jornalista ou radialista formalizou contratos suspeitos com empresários e nem destinou recursos estaduais para “entidades de fachada”, em alguns casos. A imprensa está a exercer o seu papel, a sua função social que é de defender os interesses da coletividade, do povo. Fazendo prevalecer a democracia. 

A história das verbas de subvenção na Assembleia Legislativa, a cada oitiva, a cada depoimento das testemunhas, vai ganhando capítulos tristes e sombrios, que mancham a história de luta e de independência de um Poder. Quando o Legislativo está “acorrentado”, em meio a tantos problemas, o governador Jackson Barreto (PMDB) segue sua administração tranquilamente, mesmo com as manifestações e paralisações das diversas categorias do serviço público. É mais um ano sem reajuste para o funcionalismo, com a máquina ainda inchada e com a criação de novos cargos. É um governo que prometeu muito na campanha eleitoral. Sobretudo, cuidar dos sergipanos. Trabalhadores são reféns da marginalidade. O crime “deita e rola” em nossas ruas e avenidas. A Educação não existe! E a Saúde vive em altos e baixos...

Jackson Barreto não faz um bom governo. Aliás, sua gestão atual é muito diferente do período em que ele esteve a frente do Executivo antes da eleição. Mas, para a sua sorte, boa parte da Assembleia Legislativa está sob seus domínios, inclusive alguns parlamentares da oposição. Os poucos que insistem em cobrar, em manifestar, não veem seus discursos ecoarem tanto. E quem perde muito com isso é o povo. Justamente quem não deveria pagar! Que é quem elege os deputados estaduais para representa-los bem, para fiscalizar e cobrar ações do Poder Executivo. Temos um Legislativo arruinado, acuado e omisso. E um governador que não perde um segundo do seu sono com os protestos de sindicatos e entidades sociais.

Como se não bastasse toda a celeuma em torno das subvenções, vem a tona o escândalo da Merenda Escolar, onde um empresário – insatisfeito porque devia ter ficado com a menor fatia do bolo – procura uma equipe de reportagem do SBT, sob o comando do experiente Roberto Cabrini, e denúncia um esquema de fraude em licitações da merenda escolar que atinge vários municípios sergipanos. Eu absorvo um pouco dessa culpa, por não ter investigado essa denúncia, assim como os demais comunicadores sergipanos. Realmente não precisava um profissional de fora do Estado apurar para que a imprensa local apenas repercutisse. Talvez, assim como eu, outros setores da imprensa não tenham levado em consideração até pelo “histórico” do homem público Célio França, que fez sua delação para atender a sociedade, mas que é tão corrupto quanto os demais que ele acusa. É a história que tem de tudo, menos o “santo”. Eu não vou ser irresponsável em acusar prefeito “A” ou prefeito “B”. 

É evidente que existia um esquema fraudulento nas licitações, a Polícia está investigando e, se alguém errou, caberá a Justiça aplicar-lhe a pena. Agora não há como negar que, se não tinha participação direta nas negociatas, que os prefeitos não podem deixar de ser responsabilizados até porque estamos falando de recursos públicos. Dinheiro do povo, fruto do pagamento de impostos que há muito tempo vinha financiando empresários e, talvez, sacrificando crianças inocentes. Mas sem entrar neste mérito, este colunista não vai fazer sensacionalismo. Os fatos estão postos e serão investigados. A imprensa está fazendo sua parte que é noticiar e até aprofundar as pesquisas. São histórias dignas de livros. As subvenções e a Merenda rendem contextos até cômicos, se não fossem trágicos. E, ainda assim, Sergipe inteiro quer saber: cadê o lanchinho que estava aqui? Eis a questão!

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