O
momento é trágico para a política de Sergipe. Há um “aroma de podridão” rodando
o Estado. Desde o final do ano passado, com a denúncia do Ministério Público
Federal, que a aplicação das verbas de subvenção social pela Assembleia Legislativa tem movimentado
os noticiários locais. Já vimos de tudo nas oitivas tomadas pelos procuradores
da República pelo juiz federal Fernando Escrivani: empresários fantasmas; ONGs
sem qualquer finalidade social ou que sequer possuem uma sede; tesoureiros que
não frequentam associação; cheques em branco assinados a revelia; dentre outras
mazelas. Mas o que já era ruim, ficou pior: vem a tona a “Máfia da Merenda”,
colocando em suspeição não apenas as Prefeituras de Socorro e São Cristóvão,
mas de outras 30 administrações municipais, pelo menos.
Eu não estou
pré-julgando ninguém, mas não se pode negar ou tentar esconder que essas
notícias todas acabam sendo depreciativas para o Estado, para os nossos
gestores públicos. Cria na população uma sensação de repulsa, uma indignação
natural a cada telejornal. E a culpa, senhores prefeitos e senhores deputados,
não é da imprensa. Nenhum jornalista ou radialista formalizou contratos
suspeitos com empresários e nem destinou recursos estaduais para “entidades de
fachada”, em alguns casos. A imprensa está a exercer o seu papel, a sua função
social que é de defender os interesses da coletividade, do povo. Fazendo
prevalecer a democracia.
A
história das verbas de subvenção na Assembleia Legislativa, a cada oitiva, a
cada depoimento das testemunhas, vai ganhando capítulos tristes e sombrios, que
mancham a história de luta e de independência de um Poder. Quando o Legislativo
está “acorrentado”, em meio a tantos problemas, o governador Jackson Barreto
(PMDB) segue sua administração tranquilamente, mesmo com as manifestações e
paralisações das diversas categorias do serviço público. É mais um ano sem
reajuste para o funcionalismo, com a máquina ainda inchada e com a criação de
novos cargos. É um governo que prometeu muito na campanha eleitoral. Sobretudo,
cuidar dos sergipanos. Trabalhadores são reféns da marginalidade. O crime “deita
e rola” em nossas ruas e avenidas. A Educação não existe! E a Saúde vive em
altos e baixos...
Jackson Barreto
não faz um bom governo. Aliás, sua gestão atual é muito diferente do período em
que ele esteve a frente do Executivo antes da eleição. Mas, para a sua sorte,
boa parte da Assembleia Legislativa está sob seus domínios, inclusive alguns
parlamentares da oposição. Os poucos que insistem em cobrar, em manifestar, não
veem seus discursos ecoarem tanto. E quem perde muito com isso é o povo. Justamente
quem não deveria pagar! Que é quem elege os deputados estaduais para representa-los
bem, para fiscalizar e cobrar ações do Poder Executivo. Temos um Legislativo
arruinado, acuado e omisso. E um governador que não perde um segundo do seu
sono com os protestos de sindicatos e entidades sociais.
Como
se não bastasse toda a celeuma em torno das subvenções, vem a tona o escândalo da
Merenda Escolar, onde um empresário – insatisfeito porque devia ter ficado com
a menor fatia do bolo – procura uma equipe de reportagem do SBT, sob o comando
do experiente Roberto Cabrini, e denúncia um esquema de fraude em licitações da
merenda escolar que atinge vários municípios sergipanos. Eu
absorvo um pouco dessa culpa, por não ter investigado essa denúncia, assim como
os demais comunicadores sergipanos. Realmente não precisava um profissional de
fora do Estado apurar para que a imprensa local apenas repercutisse. Talvez,
assim como eu, outros
setores da imprensa não tenham levado em consideração até pelo “histórico” do
homem público Célio França, que fez sua delação para atender a sociedade, mas
que é tão corrupto quanto os demais que ele acusa. É a história que tem de
tudo, menos o “santo”. Eu
não vou ser irresponsável em acusar prefeito “A” ou prefeito “B”.
É
evidente que existia um esquema fraudulento nas licitações, a Polícia está
investigando e, se alguém errou, caberá a Justiça aplicar-lhe a pena. Agora não
há como negar que, se não tinha participação direta nas negociatas, que os
prefeitos não podem deixar de ser responsabilizados até porque estamos falando
de recursos públicos. Dinheiro do povo, fruto do pagamento de impostos que há
muito tempo vinha financiando empresários e, talvez, sacrificando crianças
inocentes. Mas sem entrar neste mérito, este colunista não vai fazer
sensacionalismo. Os fatos estão postos e serão investigados. A imprensa está
fazendo sua parte que é noticiar e até aprofundar as pesquisas. São histórias
dignas de livros. As subvenções e a Merenda rendem contextos até cômicos, se
não fossem trágicos. E, ainda assim, Sergipe inteiro quer saber: cadê o
lanchinho que estava aqui? Eis a questão!
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