sábado, 6 de junho de 2015

Com óculos e algemas ou sem ambos, Jackson não atenderá pleito do Sintese, diz jornalista

Por Joedson Telles, do Universo Político
O governador Jackson Barreto / Foto: Roque Sá
Governador Jackson Barreto / Foto: Roque Sá

Diante da pergunta “como o governo está vendo” os professores algemados no Palácio dos Despachos, o governador Jackson Barreto, com aquele seu semblante conhecido que ironiza sem precisar de vocábulos, devolveu a indagação e, diante da confirmação do interlocutor, respondeu calmamente: “com estes óculos”. JB ainda pegou na armação e fitou o interlocutor para não deixar dúvida do que estava querendo dizer.

Aí é minha vez de indagar: e havia outra resposta mais óbvia para tal questionamento? Resposta mais evidente? Trivial? Inequívoca? Dirija-se a mesma interrogação a qualquer pessoa que necessita do auxílio de uns óculos para enxergar e a resposta sempre será a mesma. O governador ou qualquer outro mortal poderia “está vendo” de forma diferente? Os olhos – com ou sem a ajuda de óculos ou lentes – têm essa como principal função. Ou não?

Com a atitude, Jackson, mais uma vez, demonstra que quando o assunto é a greve do Sintese, digo dos professores, seu senso de humor é notável. Rouba a cena. O governador, que deu a missão de tratar o tema aos seus auxiliares – sobretudo ao vice-govenador Belivaldo Chagas – evita ir à ferida. Opta por caçoar. Assim como fez quando pediu que, ao final da “brincadeira”, os professores doassem as algemas à polícia.

O fato é que com óculos e algemas ou sem ambos, o Governo do Estado seguirá aberto ao diálogo – ao menos o vice governador Belivaldo Chagas deixou isso evidente aqui no Universo e em outros veículos. Apesar de o Sintese desobedecer a Justiça e manter a greve, colocar seu pleito acima da educação de quem não pode pagar uma escola privada, o governo prometeu e está cumprindo não fechar as portas. Entretanto, podem anotar: o Sintese esqueça essa história de 13,1% para todos os professores – independente do vencimento. O governo não deixará ninguém sem o piso, mas, excedeu, nada de 13,1%.

E mais: a inviabilidade não reside apenas nas explicações dadas pelo próprio governo no tocante ao peso da folha da Educação – incluindo aposentados e pensionistas – no orçamento do Estado. Ainda que tivesse caixa para atender ao pleito do Sintese, o governo só o faria se tivesse condições de conceder o mesmo percentual de 13,1% aos demais servidores das demais áreas do governo. Está óbvio. O governador e seus auxiliares evitam dizer isso de forma direta, mas, no fundo, é isso que rola. Greve, manifestações, algemas, óculos… nada mudará a postura do governo.

O governador Jackson Barreto assistiu – e até sentiu também na pele – ao que o saudoso Marcelo Déda teve que enfrentar quando concedeu um aumento histórico à Polícia Civil, e não repassou aos demais servidores – sobretudo à Polícia Militar. Atender ao pleito do Sintese neste momento é dizer aos demais sindicatos que o governo, uma vez pressionado, cede ao bel prazer. Suicídio é pouco.

P.S. A questão, agora, é saber se a deputada Ana Lúcia deixa ou não a bancada governista, por conta da sua ligação com o Sintese. Olha aí a bolsa de apostas…

Matéria postada originalmente no Portal Universo Político

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